Quinta-feira, 20 de Março de 2008

A Morte duma Amiga

O quarteirão onde moro é, para mim, o mais bonito da rua.

Milhares de automóveis libertam um fluxo constante de CO2. Por isso, as minhas cortinas brancas ficam negras em pouco tempo. Por isso, os meus móveis, por mais que os limpe, têm sempre uma fina camada de pó. Por isso, o ruído dos motores já se tornou tão familiar que mal o noto.

Nada disto, porém, torna a minha rua diferente de qualquer outra rua da cidade. 

 

 

 

O que faz, na minha rua, a diferença é o meu quarteirão. No terraço, do cimo do meu prédio, tenho o Porto inteiro a meus pés, com as torres das igrejas furando o casario e, a ocidente... o mar.

Das janelas da minha casa, vejo jardins e gaivotas a voar, vejo céus esplendorosos e luas a crescer para iluminar a noite.

E vejo árvores mudando de cor ao longo de todo o ano.

Estou triste, hoje: a amiga que me dava os bons dias pela manhã, mal abria a janela do meu quarto, morreu. Deceparam-na.

As raízes estavam a estrangular os canos do saneamento, disseram-me.

 

 

 
publicado por amaroporto2 às 01:01

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3 comentários:
De Cristiano Amaral a 26 de Março de 2008 às 15:50
Impressionante a insensibilidade dos órgãos do poder em relação aos sentimentos das populações.
No mínimo, um "placard" a dar uma explicação, para as pessoas não serem apanhadas dle surpresa. É que as pessoas ligam-se afectivamente àquilo que está presente no seu quotidiano
De Spiritwolf a 3 de Abril de 2008 às 20:31
Muito bom este artigo. Parabéns!
Mas para mim foram os canos que estrangularam a árvore.
De amaroporto2 a 5 de Abril de 2008 às 22:57
Também me parece!
Antes estrangulassem os homens que não gostam de árvores.

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