Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

O RIO DOURO

Terça-feira, 5 de Junho de 2007

 

O rio Douro nasce na Serra do Urbion (Montes Ibéricos, não muito longe das ruínas de Numância), a 2300m de altitude e corre através da Meseta Ibérica, no sentido Este/Oeste, com o carácter de rio de planalto e um coeficiente de desnível de 1m por quilómetro. Ao entrar em Portugal (tendo já percorrido 850 km) muda de direcção, descendo, abruptamente, em sentido Norte/Sul. Nesse percurso alcantilado e dantesco, o rio desce, em média, 3m por quilómetro, comprimido por duas barreiras, por vezes cortadas quase a pique, que atingem 400m de altura. Desde Castro Ladrones, na Espanha, até Barca de Alva, o rio (baixando de 550 para 125 metros), serve de fronteira quase intransitável, em vale profundíssimo.

É nesse troço ou canhão granítico que se encontram as poderosas barragens de Picote (1958), Miranda (1960) e Bemposta, esta última em vias de conclusão.

A bacia hidrográfica duriense, em Portugal (27.500 km2), alarga-se mais na margem direita do que na esquerda, porque ao sul as massas orográficas de Montemuro, Leomil e Lapa se apertam de encontro ao rio. 

 

 

Os afluentes principais, da margem direita, são: o Sabor, com 120 km, torrencial, muito sujeito a cheias; o Tua, com 110 km de comprimento, desde Lubian, na Serra da Segundera, na Espanha, até à confluência, com alguns trechos não torrenciais, como em torno de Mirandela, e outros extremamente declivosos e de penedia estreme; o Corgo, torrencial, em fractura; o Tâmega, de 128 km, que nasce na Serra de S. Mamede, em Espanha, sempre torrencial, com excepção do pequeno segmento planáltico de Chaves; o Sousa, modesto caudal rústico que alimenta a cidade do Porto. Da margem esquerda afluem, sucessivamente, o Águeda, na fronteira; o Coa, mais ou menos torrencial e inóspito; o Távora, com iguais características; o Paiva, com alternados alcantis e trechos verdejantes, escoando a vertente meridional da Serra de Montemuro.

Como os afluentes do Douro descem de grandes altitudes, abundantes de pluviosidade, e como os seus perfis transversais têm a configuração de um V, mais ou menos aberto, as cheias tomam proporções consideráveis, por não poderem as águas espraiar-se pelas margens. Daí a impetuosidade da corrente, por vezes, violentíssima (8m por segundo). Nas grandes cheias, o caudal chega a deslocar cerca de 30.000 m3 por segundo. A origem das enchentes é fortuita, como se verifica pela amplitude do período estacional.
(As cheias do Douro mais violentas nos últimos trinta anos foram, segundo os registos estatísticos: - quinze em Janeiro, treze em Fevereiro, dez em Março, nove em Dezembro, oito em Novembro, oito em Abril e cinco em Maio.) [(1) A recente cheia de 2 para 3 de Janeiro de 1962 talvez tenha sido a maior dos últimos cem anos.]

Próximo da foz, o nível das cheias ultrapassa, por vezes, 5 metros, submergindo os bairros marginais de Vila Nova de Gaia, da Ribeira e de Miragaia. 

 

 

Na sua terminação, o Douro é um rio sinuoso e relativamente profundo, permitindo acostagem marginal a navios de calado razoável. Tais abrigos são, porém, pouco utilizáveis, em consequência do rio não ter a largura para as necessárias manobras.
Do ponto de vista económico, o Douro é a via de drenagem natural de toda a província do Douro Litoral, de Trás-os-Montes e Alto Douro e de uma boa faixa, ainda, da Beira Alta. Como estrada fluvial dos arcaicos e curiosos cargueiros de vinho duriense – os inconfundíveis barcos rabelos – o rio muito contribuiu, nos sécs. XVII e XVIII, para a prosperidade do Alto Douro, facilitando o escoamento dos vinhos aí produzidos. Verifica-se hoje em dia um sensível declínio desse processo tradicional de transporte. A concorrência da estrada e do caminho-de-ferro parece pôr em risco a sobrevivência desses singularíssimos barcos de longo curso fluvial. Mas talvez o declínio seja transitório. Se se realizarem as precisas obras de regularização do rio, por meio de albufeiras, canais e comportas, o rio poderá ser, de novo, de grande utilidade como estrada económica da região. E não será somente para benefício da zona pomícola e vinhateira. Os recursos minerais de jazigos de ferro de Moncorvo deverão beneficiar do melhoramento das condições de navegabilidade do rio, assim como a exploração das minas de carvão do Pejão e até as instalações siderúrgicas de Vila Cova (Marão).
 
Mário de Vasconcelos e Sá, in Guia de Portugal (4º Volume),
Fundação Calouste Gulbenkian (1964)
****************** 
 

Fotografias do rio Douro, tiradas do comboio,

entre o Porto e a Régua, no dia 27 de Setembro de 2006

 

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Hoje, graças às eclusas de Crestuma, Carrapatelo, Régua, Valeira e Pocinho, o Douro tornou-se navegável . Os cruzeiros turísticos, que se realizam com regularidade,  proporcionam paisagens belíssimas e inesquecíveis aos amantes da Natureza e do mágico rio Douro.  

publicado por amaroporto2 às 23:17

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