Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Por mim, pode voar...

 

 

A voar para Lisboa
 
Nunca vi (ouvi e já me chegou) nenhuma das Red Bull Air Races que, de há uns anos para cá, enxameiam regularmente os céus do Porto com aviões de corrida e os ouvidos dos portuenses com o ruído dos motores e a algazarra da publicidade. Não tenho nada contra quem gosta de coisas do género, mas ficar horas a fio de nariz para o ar a ver aviões passar não é decididamente o meu divertimento favorito. Irrita-me também a natureza provinciana de "acontecimento" que a Câmara do Porto dá à coisa. Mas irrita-me mais o provincianismo dos patrocinadores e do Instituto de Turismo de Portugal (porque aparentemente há dinheiros públicos e, portanto, opções políticas, envolvidos no assunto) que, vendo que a corrida levou este ano um milhão de pessoas às margens do Douro, acharam que seria boa ideia transferi-la para o Tejo e para… Lisboa. É em casos menores como este que o centralismo mostra a sua face mais mesquinha. Se o problema é o Porto ter algo que Lisboa não tem, um dia destes veremos a Torre dos Clérigos deslocalizada para o Terreiro do Paço. E com ela, valha-nos isso, talvez até o próprio Rui Rio.
 
Manuel António Pina, Por Outras Palavras
Jornal de Notícias [03.Dez.2009]
 
 

 

publicado por amaroporto2 às 11:58

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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Manuel António Pina põe os pontos nos ii

 PORTO. Cadeia da Relação, Sede do Centro Português de Fotografia

 

 

Queres Dreyer? Ora toma!

 

Há uns tempos, um fogoso dirigente do BE "de cuyo nombre no quiero acordarme" estranhava o facto de o Centro Português de Fotografia ter sede no Porto e queixava-se melancolicamente de que, desse modo, "os" investigadores tinham que deslocar-se ao…Porto. Isto porque, como é sabido, "os" investigadores habitam as Avenidas Novas, sendo espécie que não procria para lá das portagens de Sacavém.

 

Acontece o mesmo com os cinéfilos. Nas berças não há ninguém capaz de apreciar devidamente Griffith, Bresson, Ozu, Dreyer ou Rosselini, a não ser algum lisboeta em vilegiatura. Ou, se há, é por capricho da natureza. No Porto, como no resto do país, gosta-se é de Spielberg. Justifica-se, pois, que os contribuintes de todo o país paguem uma Cinemateca dedicada a satisfazer em exclusivo os refinados gozos cinéfilos dos lisboetas. Depois, como poderiam frágeis bobinas de celulóide atravessar desertos e monções para serem mostrados a bosquímanos boquiabertos? Daí que tenha que se dar razão a Bénard da Costa: se os portuenses querem uma Cinemateca, peçam ao dr. Rui Rio e ao La Feria que lhes arranjem uma.
in Jornal de Notícias [09 Julho 2008]
publicado por amaroporto2 às 16:03

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