Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Porto meu

publicado por amaroporto2 às 16:36

link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Fernando Pessoa

 

(13 de Junho de 1888-30 de Novembro de 1935)

 

 

A morte é a curva da estrada,

Morrer é só não ser visto.

Se escuto, eu te oiço a passada

Existir como eu existo.

 

A terra é feita de céu.

A mentira não tem ninho.

Nunca ninguém se perdeu.

Tudo é verdade e caminho.

 

Fernando Pessoa [23 de Maio de 1932]

 

publicado por amaroporto2 às 11:54

link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

O tal das tranças...

 

 

HISTÓRIA ANTIGA
 
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação. 
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
 

                             Miguel Torga

 

publicado por amaroporto2 às 17:34

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

O Porto de José Gomes Ferreira

 

XXI 
                         (O Eugénio de Andrade espera-me num Café.
                  Atravesso as ruas do Porto a cidade onde nasci
                            - com os punhos cerrados de dor.)
 
 
  Não nasci por acaso nestas pedras
  mas para aprender dureza,
  lume excedido,
  coragem de mãos lúcidas. 
 
  Aqui no avesso da construção dos tempos
  a palavra liberdade
  é menos secreta. 
 
  Anda nos olhos da rua,
  pega lanças aos gestos,
  tira punhais das lágrimas,
  conclui as manhãs. 
 
  E principalmente
  não cheira a museu azedo
  ou a musgo embalado
  pela chuva na boca dos mortos. 
 
  Começa nos cabelos das crianças
  para me sentir mais nascido nestas pedras. 
 
  Porto
  - cidade de luz de granito. 
  Tristeza de luz viril
  com punhos de grito. 
 
                                          José Gomes Ferreira, in Comboio

 

 

publicado por amaroporto2 às 17:52

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

.mais sobre mim

.links

.as minhas fotos

.Agosto 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Porto meu

. Fernando Pessoa

. O tal das tranças...

. O Porto de José Gomes Fer...

.arquivos

. Agosto 2016

. Novembro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.pesquisar

 

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds