Terça-feira, 17 de Setembro de 2013

"A Brasileira" nos Anos 50

 
 

O Porto nos anos cinquenta

 

Quando cheguei ao Porto para advogar, exactamente a meio do século XX, a Oposição ao Regime reunia-se no café A Brasileira, na Rua de Sá da Bandeira. Era essa, em linguagem de hoje, a sede da Oposição. Aí se reuniam, em simultâneo, opositores e jornalistas, coristas do Sá da Bandeira e jogadores e adeptos do Futebol Clube do Porto.

Importa ter em conta, antes de mais, que por esses anos, aqui no Porto, as figuras gradas da advocacia, da medicina ou do comércio alinhavam politicamente na oposição ao Regime.

Para essa situação tinha contribuído, em boa parte, a campanha para a Presidência da República do General Norton de Matos[1], que era do Norte e tivera aqui o seu maior acolhimento, numa manifestação grandiosa e bem reveladora do que era, já então, o ambiente oposicionista no Porto.

Os velhos republicanos, perante o que aqui fora tal campanha[2], tinham percebido, pela primeira vez, que uma parte substancial da população estava farta de Salazar. E a muitos portuenses o movimento dessas eleições (que tinham acompanhado ou testemunhado) tinha aberto os olhos para a situação. Uma boa parte deles, das camadas mais influentes, estava esclarecida.

No meio do marasmo geral, esse Porto, desperto, vivia no desdém pelo Regime e no alerta da expectativa. Orgulhava-se do seu passado e tinha-se em boa conta. Sentindo-se preso, agitava-se. Morto por mudanças, conspirava. Foi o Porto que vim encontrar nos anos cinquenta. É ele, personagem colectiva, o protagonista desta história.

 


 

O Café A Brasileira

 

Nos anos cinquenta do século passado, A Brasileira era pois um significativo cenário desse Porto que, no meu meio, vim encontrar.

Conhecidíssimo ponto de encontro de muitos portuenses, pela sua centralidade, era espaço em que pontificavam encanecidas figuras da 1ª República e ainda sede de uma mais diversa oposição ao salazarismo. Era também, à época, sala de visitas da cidade: não havia estrangeiro que nos aparecesse, viesse donde viesse, que não fosse lá levado para um café. Pelo seu papel, o que era não cabe numa nota como esta minha, de boa memória é – e também mal o conceberia, por muito que nela me detivesse, a ligeireza apressada deste nosso tempo de agora. Tempo que não é de demoras em cafés, de tertúlias, de ideias e planos, longas conversas de amigos.

Foi lá, n’ A Brasileira, que conheci essas figuras da 1ª República. Pelo carácter pessoal, algumas não podem ser reduzidas a traços gerais, representativos do género. Dessas que se salientavam, como personalidades com estilo próprio e a aura do seu passado, vem-me de imediato à mente o coronel Hélder Ribeiro, Ministro da Guerra na 1ª República. Era um homem discreto, de extrema modéstia, e respeitado, quase até ao exagero, por todos. Ao lado, na Primus, tinha ele um colega, ministro que também da 1ª República: o Dr. Eduardo Santos Silva – homem que toda a gente igualmente respeitava e na mesma medida, isto é, muitíssimo.

Tinha lá igualmente assento uma outra espécie de figuras do passado: as facilmente identificáveis como “tipo”, pelos traços que ostentavam. Era a espécie que encarnava o lado negativo da 1ª República, também representado nessa casa de todos que era A Brasileira. Representavam-nos dois tipos: o cacique e o bombista.

O cacique distinguia-se bem: homem emproado, de chapéu revirado; membro do Partido Democrático, não lhe fora difícil sentir-se importante, pelo menos na sua terra, onde livrava os mancebos da tropa e resolvia as questões da vizinhança, como se juiz fosse. Tinha como missão política conseguir que nas eleições o Partido Democrático ganhasse, o que não era difícil[3], tendo em conta o número limitado de votantes. Dos que votavam[4], o cacique esforçava-se por que votassem consigo, do seu lado; para isso, bastava controlar os votos que contavam, no domínio que lhe cabia – a sua terra.

A completar esse quadro do passado, parava ainda n’ A Brasileira o bombista. Vinha daqueles grupos secretos em que a República foi fértil, gerando contínuas convulsões sociais. Figura muito típica, com um aspecto curioso[5], o bombista era um tipo corcovado que ia dormitando. Quase sempre dormitava. Nos momentos em que acordava, contava, enchendo-se de glória, o seu passado. Lembrava, a quem o quisesse ouvir, as bombas que, a mando, ia deitar. Em episódios que eram, mutatis mutandis, como o que se segue. Diziam-lhe: Vais à Régua e deitas uma bomba, assim e assado. E ele lá ia à Régua (ou a Lamego, ou aonde fosse para ir, segundo o que lhe era encomendado), deitava a bomba no sítio indicado e regressava ao Porto com o dever cumprido.

Finalmente, frequentava A Brasileira uma nova geração de opositores. Feita, em primeira linha, pelas figuras da 1ª República, a oposição ao salazarismo nunca esmoreceu. Nem a esperança de que em breve o Regime caísse (alimentada por umas vagas notícias da rádio estrangeira contra Salazar ou por uns vagos escândalos do regime que alimentavam, por sua vez, outros tantos boatos).

Esses velhos republicanos que conheci ensinaram-nos a nós, jovens, que nunca se deve perder a fé no futuro em que se acredita. Era comovedor ver como acreditavam que tal futuro estava para breve – e como pouco bastava para sustentar essa crença. Aos seus olhos, uma vaga notícia da BBC, uma linha que fosse de alguém que apoiava a Democracia em Portugal ou censurava algum acontecimento ou aspecto da situação em que se vivia, era sinal certo de que esta estava para cair. Sublinhavam sempre, com fé inabalável, que o ressurgimento da República estava para breve (e estava – só demorou mais de vinte anos!). Essa fé era também alimentada por quaisquer pequenas dissensões no Regime, que fariam pressupor o seu fim, ou pela crença, que vinha do fim da II Guerra Mundial, de que as democracias vitoriosas iriam acabar com as ditaduras que haviam sobrevivido a essa guerra (quando, ao contrário, os países democráticos passaram a apoiar de Portugal e de Espanha no bloco que se constituiu contra o comunismo do Leste).

Os mesmos republicanos não deixavam de comemorar, todos os anos, o 5 de Outubro (no Coliseu do Porto) e de promover uma manifestação ao cemitério do Prado do Repouso, no 31 de Janeiro[6]. Durante o longo consulado salazarista, tanto essas sessões no Coliseu como as romagens ao “Prado do Repouso” (onde foram sepultados os heróis dessa revolta) sempre tiveram, na primeira linha, essas figuras do Porto.

No que me toca, o conhecimento desses representantes da 1ª República fez que eu olhasse para ela sem a endeusar e sem a diabolizar. Endeusavam-na os velhos republicanos, que sonhavam repeti-la. E diabolizava-a o Regime, com uma parte da população que a vivera.

O grupo de republicanos tinha a acompanhá-lo, n’ A Brasileira, jornalistas do Porto. De resto, os jornalistas estavam habitualmente com a Oposição, convivendo com os oposicionistas, sentando-se à sua mesa; tal não significa, porém, que não prestassem serviços à Situação. Digo isto a propósito, por exemplo, de um jornalista de que me lembro, homem amável, que acendia cigarros sobre cigarros, e que um dia se desculpou assim: Hoje vou sentar-me ali ao lado, que tenho de escrever um discurso para o Presidente da Câmara ler logo, numa inauguração

A Brasileira era um mundo, um mundo notável. Com muitos actores: as actrizes do Sá da Bandeira, os do futebol, os da Oposição ao Regime, os artistas, os jornalistas… Fechava pela meia-noite, muitas vezes depois. Ora, à meia-noite, nesse tempo, andava-se na rua como de dia. O serão, em vez de se passar em frente da televisão, passava-se lá. Vantajosamente.

Que estas poucas linhas tenham dado para fazer uma ideia do que era esse mundo – e, por essa via, imaginar como então fervilhava de vida, de vida política, o nosso Porto.

 

O nosso grupo

 

N’ A Brasileira, como acima dizia, todos os dias se sonhava com o fim do salazarismo, que estava sempre iminente. O que alimentava o sonho era a Europa democrática – e a esperança de que viesse em nosso auxílio e derrubasse um Salazar que nós, de dentro, não tínhamos como derrubar.

Foi nesse ambiente que um grupo de oposicionistas, reunindo gente que se conhecia e se foi encontrando, ao longo desses anos, se foi tornando mais próximo, por um lado, enquanto a sua base, por outro, se ia alargando a outros.

Era no café que se gizavam movimentos de oposição ao Regime, possíveis campanhas eleitorais ou intervenções no Tribunal Plenário (onde opositores, sobretudo os comunistas, eram sucessivamente julgados e condenados).

E todos esses movimentos de oposição ao Regime tinham a colaboração de jornalistas, nossos companheiros em todas as campanhas, que procuravam traduzir-nos a sua solidariedade com escassas notas que nos jornais escapavam à censura.

Em termos pessoais, as memórias que d’ A Brasileira guardo são inúmeras. Foi lá que fui contactado para intervir nos processos do Tribunal Plenário, na defesa de adversários do Regime, e para ser candidato a deputado pela Oposição.

 

Manuel Coelho dos Santos, Quando o Porto Tinha Voz

Ver mais:

http://amaroporto2.blogs.sapo.pt/15975.html

 

 

NOTAS

[1] Em 1949. Fora um marco. As eleições tinham sido a 18/02/1949.

[2] Cujo apogeu, em campo aberto, tinha sido, depois do comício no campo de Salgueiros, a 09/01, a manifestação na Fonte da Moura, a 23/01, com mais de cem mil pessoas a encherem o centro hípico. Note-se que a partir daí, e por causa disso, nunca mais seriam permitidas sessões ao ar livre, a céu aberto.   

[3] Como não foi, que as ganhou todas.

[4] Lembre-se que apenas dos alfabetizados (cerca de 25%; ao fim de dez anos de democracia, a percentagem passara para 30%).

[5] Atracção das minhas filhas pequenas, quando à noite a minha mulher me ia buscar à Brasileira - encarregadas de me vir retirar daquele convívio - era a ternura do bombista que as encantava.

[6] Data que o Porto recordava com orgulho, por ter sido daqui que surgira a primeira revolta contra a Monarquia. Das idas ao cemitério, lembro-me de a polícia nos correr com uma água colorida, quando dávamos vivas à Liberdade e à Democracia. O 31 de Janeiro era comemorado com a ida ao cemitério e uma sessão no Coliseu (única abertura dada pelo Regime).

 

 

publicado por amaroporto2 às 18:28

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Domingo, 13 de Março de 2011

Não me obriguem!

Não me obriguem

a vir para a rua gritar!!!!!!

 

Foto: Jornal de Notícias

publicado por amaroporto2 às 18:10

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Domingo, 25 de Abril de 2010

ACORDA, PORTUGAL!!!

publicado por amaroporto2 às 19:36

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Domingo, 1 de Novembro de 2009

Três Cantos

Ontem à noite, no Coliseu,

os portuenses renderam-se à música e às palavras

de José Mário Branco, Sérgio Godinho e

Fausto Bordalo Dias.

Uma noite mágica com casa cheia e público cúmplice.

 

 

 

 

 

 

 

Aprende a nadar, Companheiro,

que a maré se vai levantar!

publicado por amaroporto2 às 16:36

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Domingo, 24 de Maio de 2009

Andanças para a LIBERDADE

 

 

 Será lançado no Porto, no próximo dia 28 de Maio de 2009, pelas 18h 30m na Cooperativa Árvore, o Volume I do livro de Camilo Mortágua "Andanças para a Liberdade", editado pela Esfera do Caos

 

 

 

 

O pátio
 
O pátio em questão ficava nas traseiras de um pequeno prédio de rés-do-chão e águas furtadas, quatro a cinco metros abaixo do nível da rua, cercado por um muro que impedia, a quem nele estivesse, de ver para além do espaço que vedava. Para poder ver para além do muro, era necessário subir pelo menos até meio da escada que dava para a rua.
Essa minha primeira descida para o pátio, sempre a considerei a minha primeira descida ao inferno, ou a minha primeira entrada no mundo dos mortos-vivos, como se Orfeu e Aristeu, numa só pessoa, sem o saber, ali tivessem encontrado Eurídice, aquela por quem, a partir de então, me bateria, aquela que, ao contrário da outra da lenda, me resgataria do subterrâneo da vida, do limbo social, para a luz do Sol e da Liberdade.
A minha Eurídice, ali e então revelada, ainda se chama consciência de classe. Ali aprendi a conhecer profundamente as razões da minha assumida e inevitável paixão pela Liberdade. A paixão de lutar pela vida entre os vivos, à luz do sol, em favor dos da minha condição.
Ali, a quatro ou cinco metros abaixo do nível das ruas e das casas onde viviam aqueles que eram considerados “pessoas”; sem água corrente, nem luz, nem esgotos; ali, onde era necessário ter bons rins para enfiar o cu em semicúpio na retrete suspensa e entalada lá no alto, ao nível da rua; ali, onde se escondiam sete famílias em 120 a 140 metros quadrados, entre as quais ainda existiam abissais diferenças de cultura e de condições económicas; ali, daquele pátio que nos colava à pele o estigma da não existência social, afugentando do nosso convívio quem ali não pertencesse (como se leprosos fôssemos); ali, repito, no dia-a-dia da vergonha que sentíamos nos outros pela nossa presença, fui forjando os mecanismos das minhas futuras opções.
Razão tinha Braudel ao afirmar que “é nas ‘caves’ do tecido social, na humidade dos espaços térreos, que nascem as raízes das grandes transformações sociais.
A aldeia e as brincadeiras de infância, o respeito que sentimos por nós próprios quando os outros nos respeitam, o genuíno e puro das relações desinteressadas, o esvoaçar das estrelas e papagaios de papel ao vento das marinhas, as primeiras ingénuas descobertas sentimentais, a segurança no mundo conhecido, tudo isso desapareceu ao descer ao Pátio do 26 da Rua Luís Monteiro.
Impacto mais desolador, porque o meu sonho sobre a longínqua capital, sobre a terra de onde vinha o pão de trigo, era um sonho impreciso, mas repleto de belas imagens.
Lá na aldeia eu era: o Come e Cala, o Batata, o menino Camilo, o menino dos Salça; de repente, senti-me ninguém… senti-me remetido à condição dos que não contam!
Os anos que passei naquele espaço térreo construíram em mim certezas inabaláveis, convicções mais fortes e duradouras que as que me foram dadas através das leituras feitas ao longo da vida.
O dia-a-dia da família – eu, meus pais e minhas duas irmãs, vivendo em dois compartimentos de alguns nove metros quadrados cada – exercia sobre nós pressões contraditórias mas intensas. A exagerada densidade demográfica do nosso espaço habitável impelia por um lado a uma exagerada intimidade física provocadora de atritos comportamentais e, por outro, exigia uma grande coesão sem a qual a vida se tornava impossível.
 
Camilo Mortágua, Andanças para a Liberdade (Vol. I)

 

 Camilo Mortágua

 

Entre os inimigos de Salazar que lutaram de armas na mão contra o Estado Novo destacam-se dois homens: Camilo Mortágua e Hermínio da Palma Inácio ― os últimos revolucionários românticos. A eles se devem os golpes mais espectaculares que abalaram a ditadura. Mas a história da acção directa contra o regime há-de reservar a Camilo Mortágua um capítulo muito especial: participou na Operação Dulcineia, em Janeiro de 1961, comandada pelo capitão Henrique Galvão e inspirada pelo general Humberto Delgado ― o desvio do paquete português «Santa Maria», que seria o primeiro acto de pirataria dos tempos modernos. Mais tarde, com Palma Inácio e outros companheiros, fundaria a LUAR.
Nos últimos anos tem trabalhado na concepção e implementação de programas e projectos de desenvolvimento local, assim como na mobilização de pessoas e grupos socialmente desprotegidos e na animação e organização de comunidades em risco de exclusão.
Presidente da DELOS Constellation, Association International pour le Developpement Local Soutenable (1994-2002). Presidente da APURE, Associação para as Universidades Rurais Europeias. Grande Oficial da Ordem da Liberdade da República Portuguesa.

 

publicado por amaroporto2 às 10:22

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Domingo, 8 de Março de 2009

O Porto merece melhor

 

Não contribuirei para a reeleição de José Lello, porque:

 

1. É militante do Partido Socialista que, neste momento, de socialista nada tem;

2. Diz freezer em vez de dizer geladeira ou frigorífico;

3. Confunde coragem com falta de carácter;

4. Acha que é mais importante ser solidário com o Partido do que fiel às suas convicções;

5. É arrogante e mal-educado;

6. Tenho vergonha de que represente a minha cidade.

 

Claro que tudo isto vem a propósito dos seus comentários acerca de Manuel Alegre.

Não sei se Manuel Alegre está a gerir, ou não, da melhor forma a sua oposição à política do seu Partido e deste Governo. Mas sei que é quase o único que tem a coragem de levantar a voz contra o "totalitarismo" de José Sócrates e as medidas perniciosas que tem tomado.

Calculo que é muito doloroso para Manuel Alegre,  um dos fundadores do PS, assumir posições contra as políticas seguidas pelo Governo.

Ainda bem que as assume: prova que ainda há alguém que diz não.

 

 

 

 

 

publicado por amaroporto2 às 19:53

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Domingo, 18 de Maio de 2008

O GENERAL SEM MEDO

 

  

O meu coração ficará no Porto.

 

Humberto Delgado

14 de Maio de 1958

 

 

 

Humberto Delgado, o homem que ousou fazer frente ao ditador Salazar, e que pagou com a vida a ousadia, tem, desde o dia 14, uma estátua na Praça de Carlos Alberto.

A estátua, da autoria do escultor José Rodrigues, destina-se a assinalar os 50 anos da deslocação do general ao Porto, aquando da sua candidatura à Presidência da República, em 1958, em que foi recebido (e levado em ombros) por milhares de pessoas que o aclamavam, desde a Estação de S. Bento até à sede da sua candidatura na Praça de Carlos Alberto.

 

Para que nunca se esqueça, os versos do Manuel Alegre:

 

Mesmo na noite mais triste

Em tempos de servidão

Há sempre alguém que resiste

Há sempre alguém que diz: NÃO! 

 

publicado por amaroporto2 às 18:50

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Manuel Alegre no Porto

 

CLUBE dos PENSADORES

 
Debate
 "Sistema Político: alternâncias e alternativas"
 
 Dia 28, Hotel Holiday Inn, em Gaia, pelas 21h30
 
Convidado especial: MANUEL ALEGRE (fundador do PS e vice-presidente da A.R.)

Convidado permanente: JOAQUIM JORGE (biólogo e fundador do clube)

Convidado específico: PEDRO LARANJEIRA (jornalista e director da revista Perspectiva)

Convidado da sociedade civil: MARIA LEONOR SILVA (jornalista e directora do " Comércio de Gaia")
                Devíamos ser um povo mais culto e ter cuidado nas
escolhas que fazemos quer nos partidos
quer nos governos
   


O sistema político está esgotado. A crise vai-se acentuar com as novas leis para as eleições autárquicas e legislativas, exercendo efeitos muito perniciosos na vida pública. A vida interna dos partidos tem que ser alterada e não pode estar à mercê de: pagamento de quotas; procedimentos eleitorais; formas de militância; listas; sindicatos de voto; democracia interna; tráfico de influências; promiscuidades várias; etc.  Funcionam como empresas, em que o secretariado nacional é a administração, a comissão política a direcção e a comissão nacional os cargos intermédios, finalmente os militantes de base são os trabalhadores.
O país está cansado dos mesmos políticos e eles não têm ou não querem ter consciência disso. Não é alterando as leis eleitorais que se renova a democracia quer local quer nacional. As pessoas querem caras novas e a alternativa é renovar os rostos daqueles que estão à frente de projectos políticos. O sistema político não permite a renovação dos partidos, a sadia e salutar crítica e contraditório, fomentando alternâncias e alternativas
Esta oligarquia partidária, tem que ser alterada, a indiferença grassa, a naturalização do inevitável e impossibilidade de modificar este estado de coisas terá consequências nefastas no futuro das novas gerações. A política é vista como algo sujo e promíscuo com a retórica de dizer uma coisa e fazer outra.
A culpa é nossa devíamos ser um povo mais culto e ter mais cuidado nas escolhas que fazemos quer nos partidos quer nos governos, e o grau de exigência fosse o devido e não o mal menor.
 
JOAQUIM JORGE, in Clube dos Pensadores,
22 Janeiro 2008
publicado por amaroporto2 às 00:12

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