Sábado, 13 de Agosto de 2016

A HISTÓRIA E O VALOR DO CEMITÉRIO DA LAPA

1.Cemitério da Lapa.JPG

Em 1833, o dramático Cerco do Porto e a subsequente epidemia de cólera rapidamente lotaram os locais ancestrais de enterramento, situados no interior das igrejas portuenses.

5.Cemitério da Lapa.JPGPerante este cenário, a Mesa da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa pediu a D. Pedro IV que autorizasse a construção de um cemitério privativo exterior à sua igreja.
Não se pretendia um mero terreno temporário para sepulturas: todo o processo indicia que, já em 1833, a Irmandade da Lapa pretendia um cemitério convenientemente murado, enobrecido com portal, com locais próprios para construção de monumentos. Por isso, pode considerar-se o Cemitério da Lapa como o mais antigo cemitério romântico criado em Portugal, mesmo não sendo público. A sua criação oficial foi, aliás, anterior ao decreto de 1835, que instituiu os cemitérios públicos. Porém, como situação de transição, foi necessário construir um cemitério interino, por detrás da capela-mor da Igreja da Lapa.

2.Cemitério da Lapa.JPG

O Cemitério da Lapa propriamente dito, só foi oficialmente benzido no Verão de 1838.
Os cemitérios românticos foram concebidos como espaços arruados e ajardinados, com belos monumentos (derradeiros símbolos de saudade dos entes queridos), locais de meditação na fugacidade da vida, dentro da mentalidade de então.
Actualmente, os mais importantes cemitérios europeus do século XIX são encarados como museus. De facto, nestas “cidades dos mortos” em miniatura, os vários monumentos espelham, não só um passado de memórias familiares, como também o desejo de ostentação, as mentalidades e os símbolos de toda uma época.
Por outro lado, estas “galerias de ilustres”, são também repositórios de algumas das melhores obras de arte do período romântico, sobretudo em arquitectura, escultura e artes aplicadas (ferro e cerâmica).

 

 O Cemitério da Lapa é o mais importante “museu da morte” do Norte de Portugal.
Aqui foram erigidos alguns dos primeiros monumentos funerários românticos de Portugal, a partir de 1839.
Durante décadas, estes monumentos –os mais faustosos da cidade do Porto- foram fonte de inspiração para todos os outros cemitérios do Norte do país.
De facto, a Lapa era o cemitério da elite portuense.
Porém, foi tal a quantidade de notáveis que ali pretendiam ter um jazigo próprio que o cemitério se tornou, rapidamente, demasiado pequeno.

4.Cemitério da Lapa.JPG

 O primitivo cemitério, que correspondia às actuais secções de 1 a 8 e à secção lateral Poente das capelas monumentais, foi ampliado apenas duas décadas depois de ter sido aberto! Foi construída uma outra secção lateral para as capelas monumentais, a Nascente, bem como uma nova divisão, a cota mais elevada (a divisão 2, dividida nas secções 11 e 12).
Mas, mesmo assim, em poucos anos estas novas secções ficaram preenchidas de monumentos.
Duas décadas depois, novamente necessário alargar o Cemitério da Lapa, para Sul (as actuais secções 9 e 10) e para Poente (a divisão 3).
Em 1874, foram dadas como concluídas estas obras de ampliação e colocada a cruz que se encontra ao cimo da escadaria da entrada. A partir de então, o cemitério não pôde ser mais alargado: todo o terreno disponível da cerca da Lapa já tinha sido ocupado e esta estava encravada num pequeno quarteirão.

3.Cemitério da Lapa.JPG

 

 

publicado por amaroporto2 às 17:39

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Sábado, 9 de Novembro de 2013

ÉDEN TEATRO

O Éden Teatro, na rua de Alexandre Herculano (Porto), ficou ligado à história da chamada "Monarquia do Norte".

Aproveitando a instabilidade gerada pelo assassinato de Sidónio Pais, os monárquicos do Porto proclamaram a restauração da Monarquia a 19 de Janeiro de 1919, criando uma Junta Governativa, presidida por Paiva Couceiro. O corpo de voluntários responsável pela segurança pública instalou-se no Éden Teatro e era aqui que detinha e interrogava activistas e simpatizantes republicanos.

Ao fim de quase um mês – durante o qual os monárquicos do Norte dominaram a quase totalidade do Minho e Trás-os-Montes, e ainda parte das Beiras –, a revolta caiu a 13 de Fevereiro, com a entrada no Porto das tropas fiéis à República.

Tal como sucedeu com vários outros teatros da cidade, também o Éden passaria a cinema durante a década de 1930, acabando por ser demolido em 1948.

 

Através de:

https://www.facebook.com/PortoDesaparecido


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Quinta-feira, 26 de Julho de 2012

PORTO

 

Porto, 12 de Março de 1949 - Este Porto dá-me segurança! Depois das fragas da minha terra, é nele que me sinto mais protegido e livre. Em Lisboa ronda-me sempre o pressentimento de qualquer perigo iminente, que não sei se vem do Terreiro do Paço, se da Avenida da Liberdade. Aqui, pelo contrário, caminho de coração tranquilo. É uma superstição como as outras, evidentemente. O poder chega a toda a parte, e já não há canto no mundo onde um homem possa dizer que está a salvo. Contudo, certas premissas valem muito… Os maometanos acreditam no túmulo do Profeta; eu acredito na estátua de D. Pedro IV.

 

MIGUEL TORGA, Diário IV

 

 

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Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

O Porto há cem anos 1

 

 
publicado por amaroporto2 às 14:45

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Sábado, 26 de Novembro de 2011

Coliseu do Porto tem 70 anos

Coliseu do Porto:

70 anos comemorados com homenagem a Helena Sá e Costa

 

 

O Coliseu do Porto celebra hoje o 70.º aniversário com o mesmo programa artístico que inaugurou a sala, a 19 de Dezembro de 1941, tendo então como solista, ao piano, Helena Sá e Costa, que será homenageada.

Falecida a 8 de Janeiro de 2006, Helena Sá e Costa será recordada hoje com o descerramento de uma placa no átrio do Coliseu, cerimónia em que participará a sua irmã, a violoncelista Madalena Sá e Costa, com 94 anos. Segue-se, pelas 21:30, o concerto comemorativo da efeméride, interpretado pelo pianista Constantin Sandu e pela Orquestra ARTAVE (Orquestra Sinfónica da Escola Profissional Artística do Vale do Ave), sob a direcção do maestro Luís Machado.

 

 

Sob a direcção do maestro Pedro de Freitas Branco, Helena Sá e Costa foi a figura central do espectáculo que abriu o Coliseu do Porto, interpretando "A consagração da casa", uma das últimas obras de Beethoven, e o Concerto n.º 1, para piano e orquestra, de Mendelssohn. "Helena Sá e Costa tocou na inauguração, tocou nos 50 anos do Coliseu, nos 60 estava lá mas já não conseguia tocar e nos 70, infelizmente, já não está connosco, por isso entendemos que era altura de prestar homenagem a uma grande senhora da cidade, a uma grande pianista e sobretudo uma grande pedagoga", afirmou à Lusa José António Barros, presidente da Associação Amigos do Coliseu, entidade que gere a sala.

 

Porto, 25 Novembro de 2011 (Lusa)

in Jornal de Notícias

publicado por amaroporto2 às 18:36

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Júlio Resende: um portuense "grande"

JÚLIO Martins RESENDE da Silva Dias
[Porto, 23 de Outubro de 1917 - Valbom (Gondomar), 21 de Setembro de 2011]
 
 
Ribeira Negra.1984 (No túnel da Ribeira, Porto)
 
Mulher e Roupa.1986
 
publicado por amaroporto2 às 15:56

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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

S. JOÃO no PORTO de outrora

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

DA LAPA AO BONFIM PASSANDO POR CEDOFEITA

 

Em 1834, o Porto vivia com intenso júbilo a sua vitória no Cerco. Nesse ano, o S. João foi festejado na cidade com enorme euforia.

Houve arraiais na Lapa, no Campo de Santo Ovídio (actual Praça da República), na Rua Nova do Almada e nos Caldeireiros, diante do velho hospital de S. João instalado na Confraria de Nossa Senhora da Silva.

 

 

Por esse tempo festejavam-se três S. Joões no Porto: o de Cedofeita, que era miguelista; o da Lapa, constitucional, e o do Bonfim, republicano. Cantava-se então:

 

Fui ao S. João à Lapa

Da Lapa fui ao Bonfim.

Estava tudo embandeirado

Com bandeiras de cetim…

 

O despique político era a tónica dominante dos festejos sanjoaninos, logo após a vitória dos liberais. Os miguelistas não se davam ainda por vencidos.

 

 

 

E aproveitavam a festa para mandar recados:

 

O S. João da Lapa

Escreveu ao do Bonfim.

Visse bem o que fazia

Que a coisa não ia assim…

 

O S. João das Fontainhas ainda não existia. Só começaria a despontar 35 anos depois, quando um morador do sítio resolveu montar na alameda uma monumental cascata, ao redor da qual se vendia cabrito assado com arroz de forno, arroz-doce e aletria, e café quente acompanhado de pão com manteiga. Os ranchos que cirandavam pela cidade, deslocaram-se ao célebre miradouro para apreciar a novidade e a curiosidade transformou-se em rotina. Os romeiros cantavam:

 

Abaixai-vos carvalheiras

Com a rama para o chão;

Deixai passar as romeiras

Que vão ver o S. João.

 

Na Lapa, o arraial fazia-se na alameda, onde agora está o hospital. Em 1844, dez anos depois da vitória dos liberais, escrevia-se nos jornais que o S. João da Lapa levou a palma a todos os outros… Entre danças e descantes, vendiam-se espetadas, peixe frito, tripas à moda do Porto, regueifas de Valongo, pão de Paranhos, doce da Teixeira. Nesse ano, houve uma novidade: o vinho era de Amarante…

A Irmandade da Lapa levava para a alameda os bancos da sacristia, que alugava a quem quisesse assistir comodamente ao fogo-de-artifício. Rezam as crónicas que o fogueteiro desse ano foi muito aplaudido.

Em 1845, o despique é entre os S. Joões de Cedofeita e do Bonfim. Moços e moças passavam em ranchos a cantar:

 

Não diga que tem saúde

Quem nesta noite se deita;

Sem tomar as orvalhadas

Nos campos de Cedofeita.

 

 

A velha igreja românica era, a esse tempo, um monumento isolado rodeado de quintas e pinhais onde os festeiros da cidade acampavam com as suas merendas.

O senhor D. Prior de Cedofeita franqueava a sua quinta aos romeiros que por ela se espalhavam a cantar:

 

Que é aquilo,

Que é aquilo,

Que é aquilo?

É S. João a caçar um grilo…

 

Em 1849, começaram a organizar-se comissões de moradores em certas ruas e locais. Faziam-se subscrições cujo produto revertia a favor das festas. No Bonfim, iluminavam-se as ruas como nunca antes acontecera em parte alguma. O S. João é festejado sobretudo nos quintais com luminárias, foguetes, fogo de ar e preso. Dançava-se por entre as bichas de rabiar, os busca-pés, as bombas.

Nas ruas, o povo suava, acotovelava-se… O S. João era nas ruas. Ainda estava muito longe o S. João do Palácio de Cristal. Pela simples razão de que o Palácio ainda não existia…

 

Germano Silva

 

 

publicado por amaroporto2 às 14:57

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Domingo, 12 de Junho de 2011

Memórias da cidade

 

 

Escuro, pitoresco, desleixado, o Porto já não é a metrópole que foi na minha infância. As pontes e a estação, o palácio do bispo, a Sé, a Torre dos Clérigos, tudo isso se mantém, e vista da margem esquerda a paisagem da cidade continua esplêndida. Mas nos rostos das pessoas há mais sombras que sorrisos, o ar de algumas ruas é de mau agouro.

O rio lá está, quase sem movimento, com pouca vida, só de longe a longe um ou outro naviozito se arrisca a passar por entre as línguas de areia que lhe assoreiam a foz. Os rabelos envernizados que agora o navegam são falsificações da publicidade e na beira-rio lodosa de Gaia, que conheci cheia de bulício, a ferver de agitação, deitaram placas de cimento e fizeram esplanadas onde os turistas se sentam a beber cerveja, de costas para a cidade para melhor tomarem o sol. Passo, olho, vou adiante e minto a mim próprio, dizendo-me que é absurdo carregar o peso morto do passado.

Hospedei-me por uma noite num hotel da Praça da Batalha, contente de ver em redor quase todos os cinemas e cafés do meu passado, a sua presença a confirmar que nem tudo se estiola, nem tudo morre.

Desço para o rio, atravesso a ponte, refaço o que foi o caminho de casa. Por um instante, com sede, quase me deixo tentar pelos guarda-sóis coloridos das esplanadas, mas continuo em frente, como se fosse inconveniência ou traição ir-me sentar entre estranhos no mesmo lugar onde antes brinquei, onde sonhei.

 

J. Rentes de Carvalho, La Coca

 

 

 

publicado por amaroporto2 às 18:18

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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

11 de Janeiro de 2011

Porto

Rua da Constituição

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

Postal ilustrado

 

AZUL DOURADO

 

Quando a tarde termina

e a noite se aproxima

o azul do Douro transforma-se em ouro do sol.

 

Regresse a casa mais tarde

e aprecie o pôr-do-sol.

 

                                          Edgar Alves, in PORTO SEMPRE

publicado por amaroporto2 às 11:20

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