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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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Viver no PORTO

15.09.07, amaroporto2

12 de Maio de 2007

 

 

Não pretendo fazer deste blog um "muro de lamentações". Mas o Porto atravessa um período sombrio e isso preocupa-me e causa-me uma infinita tristeza.

A cidade perde, por dia, uma enormidade de habitantes (Já nem me lembro de quantos!) e não vejo o poder muito preocupado com as razões deste fenómeno. A mim, ocorrem-me, de imediato, as seguintes:

 

1.ª O facto de se ter feito da Baixa um local, quase exclusivamente, de serviços (lojas, bancos, consultórios, escritórios, etc.), afastando as populações residentes. À noite, a Baixa é hoje um lugar perigoso e triste;

 

2.ª A existência de inúmeros imóveis ao abandono que empobrecem a cidade, que provocam estragos em prédios contíguos, que podem desabar, ou arder, a qualquer momento, para além de se tornarem ninhos de ratos e focos de cheiros pestilentos;

 

3.ª As rendas elevadas provocadas pelas razões anteriores.

 

Penso que é chegada a hora dos poderes locais (Câmara, Juntas de Freguesia) deixarem de "assobiar para o lado" e assumirem que estamos perante um problema grave, que urge resolver. Sei que não são fáceis de tomar certas decisões, mas "para grandes males, grandes remédios".

 

No tempo do rei D. Fernando, quando ainda nem se falava em comunismo, quem não trabalhava a sua terra, ficava sem ela. Então...

 

- se os donos dos prédios não têm meios financeiros para tratar deles, é necessário arranjar maneira de os ajudar a fazê-lo.

 

- para os que não querem saber do que lhes pertence, é razoável, ao fim de certo tempo, utilizar a expropriação. Que me perdoem os defensores acérrimos da propriedade privada: quem não cuida do seu património, nem quer cuidar, não merece que a lei o proteja.

 

- que poderá fazer o poder autárquico aos prédios expropriados? Restaurá-los (sempre que possível), demoli-los e aproveitar os terrenos para construir habitações (a preços de venda ou a rendas subsidiadas, para atrair moradores), vendê-los ou alugá-los a quem se comprometa a fazer as obras necessárias.

 

- os lucros que, eventualmente, se pudessem obter com as expropriações poderiam subsidiar rendas demasiado elevadas para famílias com dificuldades económicas.

 

- por que não criar quotas de apartamentos para habitação nos prédios da Baixa da cidade?

 

- por que não empenhar todos os portuenses na resolução deste problema?

 

 Será que estou a propor uma utopia? Não creio. Talvez as coisas não possam ser bem assim, mas não vejo uma impossibilidade total na sua concretização. Aliás, leis semelhantes já foram aprovadas noutros países que enfrentam problemas deste tipo.

 

A nossa cidade vale a coragem de romper com o estabelecido. O interesse de todos deve sobrepor-se aos interesses individuais. O PORTO tem de continuar a ser motivo de orgulho para os portuenses!

 

NB: Defendo prioritariamente, como disse, a ajuda aos senhorios que não têm meios, seja por que motivo for, para resolverem o problema sozinhos.

 

 

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