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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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Realizador de sonhos

21.01.08, amaroporto2

Não consegue parar: tem medo da rotina

 

Recuperou um velho convento em ruínas

 

Prefere a utopia ao profissionalismo

 

Transforma fábrica de chapéus em Fundação

 

Nasceu em Luanda mas quer morrer no Porto

 

Gosta muito de pedras. Ainda gosta mais de pessoas

      José Rodrigues

 

 

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José Rodrigues nasceu em Luanda, em 1936. Veio para o Porto, onde se formou em escultura pela Escola Superior de Belas-Artes, na qual foi depois professor.

É figura proeminente da arte contemporânea portuguesa e, por isso, não precisa de apresentações.

É do domínio público que é o autor do famoso "Cubo" da Praça da Ribeira, no Porto, do "Cervo" e de "Força", em Vila Nova de Cerveira; que é escultor, pintor, desenhador, encenador; que é reconhecido e premiado em Portugal e no estrangeiro; que foi condecorado, em 1994, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Obra feita e apreciada... ninguém duvida.

 

Para mim, no entanto, o fascínio deste homem reside na capacidade que tem de se apaixonar por sítios, edifícios e projectos, que executa com entusiasmo "contra ventos e marés".

 

Foi fundador e presidente da Cooperativa Árvore, no Porto (através da qual nasceu o Curso Superior de Arquitectura) e da Escola de Artes Profissionais Árvore.

Participou na criação da Bienal de Arte de Cerveira e aí fundou, também, a Escola de Artes e Ofícios  e  a Escola Superior de Arquitectura.

Por esse país fora, de Paços de Ferreira a Alfândega da Fé, de onde é originária a sua família, esteve envolvido nos mais variados projectos.

 

 

  

 

 Dois deles são verdadeiramente extraordinários e merecem, por isso, a minha maior admiração.

 

O José Rodrigues, penso que em 1974, apaixonou-se por um velho convento do séc. XIV, que se encontrava em ruínas, o Convento de S. Paio, na Serra da Gávea, em Vila Nova de Cerveira. Comprou-o e restaurou-o, com a ajuda daqueles a quem chama seus irmãos e com quem criou uma Associação Cultural. Aí vive, há anos, o escritor Luandino Vieira. Aí fixou residência o escultor até que novo projecto o trouxe, de novo, para o Porto.

 

Dê um salto ao meu blogue SOL POENTE

 

http://snmatias.blogspot.pt/2008/01/outra-forma-de-viver.html

 

onde a história deste projecto está mais desenvolvida.

 

 

Dizia eu que José Rodrigues regressou ao Porto para transformar uma antiga fábrica de chapéus, onde parece que já tinha o seu atelier e que comprou, na Fundação José Rodrigues.

A Fábrica Social/Fundação José Rodrigues pretende ser uma fonte de criação, disposta a apoiar os artistas mais jovens.

Terá vários ateliers, residências, auditório com capacidade para mais de cem pessoas [para concertos, teatro e exposições], arquivo documental, salas de exposições permanentes e rotativas [não só para obras próprias e da sua colecção (de Almada Negreiros, Júlio Resende, Graça Morais, Mário Eloy e Júlio Pomar, entre outros), mas também de outros, como a colecção de Pádua Ramos e, principalmente de novos artistas], espaços para convívio e para realização de tertúlias de reflexão, com bar.

O principal objectivo para este espaço, segundo o escultor, é fazer convergir diferentes formas de pensamento e de arte, porque sem diversidade não há cultura.

 

 

 

Grande obra esta, que merece ser apoiada pelos portuenses. O escultor José Rodrigues é uma figura importante da cidade do Porto, que adoptou como sua.

Está prevista, para o mês de Fevereiro, a abertura deste espaço. É fácil lá chegar. Descendo a Rua do Bonjardim, vira-se na Rua das Musas à esquerda. É uma subida íngreme, só para peões. É na segunda rua à esquerda e chama-se, claro, Rua da Fábrica Social. Este portão é lá no fundo da rua, que não tem saída.  

Não se amedronte! As ruas são acidentadas, mas as distâncias curtas.