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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

Manuel de Oliveira

09.09.08, amaroporto2

 

 

Serralves e Oliveira

 

1. Está patente, na Casa de Serralves, até 2 de Novembro, uma exposição de homenagem a Manoel de Oliveira, É oportuna e justa - o grande realizador completará 100 anos, a 12 de Dezembro próximo. Merece todas as homenagens, não porque se aproxime o centenário em vida - e, ironicamente, sublinha que não é culpa sua e agradece ao destino - mas sim pela obra única que ergueu. De facto, Manoel de Oliveira não tem idade. Desde os anos em que convivemos mais de perto em Itália (e não esqueçam que "O amor de perdição" teve estreia mundial em Florença, Dezembro de 1978) até hoje, habituei-me a admirar e ouvir um homem jovem, lúcido e um criador a quem as coisas acontecem naturalmente - como se viessem ter com ele. Homem simples e franco, a sua sensibilidade complexa e o seu amor à beleza atraíram o respeito e admiração. Todos sabemos que a Itália - a crítica de cinema italiana -, na Bienal de Veneza de 1976, ajudou a que se abrissem as portas do reconhecimento internacional, desde aí sempre crescente. Manoel de Oliveira nunca esqueceu. E agora mesmo, a Bienal de Veneza lhe confirmou a estima, recebendo, com entusiasmo e carinho, três curtas metragens inéditas, tendo estado uma delas, "Do visível ao invisível", na inauguração do festival.

 

2. A obra de Oliveira impôs-se e, hoje, emparceira com a dos maiores realizadores de sempre. O cinema português, quando estudado, deverá referir-se ao antes e ao depois de "Douro, faina fluvial".

Leitor, é bom admirar.

 

Manuel Poppein "O Outro Lado",

Jornal de Notícias, 7.Set.2008