Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

O PORTO NO OLHAR DE OUTROS

Domingo, 10 de Junho de 2007
PORTO (Ribeira)
Depois duma visita ao Porto, José Rodrigues Miguéis afirmou: "Fiquei com muitas imagens gravadas na retina da-i-alma..."
JOSÉ  RODRIGUES  MIGUÉIS
Nasceu, em Lisboa, em 1901
Formado em Direito na Universidade de Lisboa, veio a formar-se, posteriormente, em Ciências Pedagógicas na Universidade de Bruxelas.
Colaborador em jornais e revistas, foi advogado, professor do Ensino Secundário, tornando-se igualmente reconhecido como orador e ideólogo político.
Sentindo o peso da censura salazarista, expatriou-se para os Estados Unidos da América, onde acabou por falecer, em 1980, depois de ter ainda vivido algum tempo em Portugal e no Brasil.
Da sua obra, destaca-se Léah e Outras Histórias (1958), contos e novelas que projectaram o autor, impondo-o como um dos grandes nomes entre os prosadores do seu tempo.
Objecto de inúmeras traduções, a sua obra tem inspirado também numerosos artigos e estudos universitários.
publicado por amaroporto2 às 10:56

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A CAPELA DAS VERDADES

Sábado, 9 de Junho de 2007

 

Porto Antigo: Arco das Verdades

 

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Ao fundo da Rua de D. Hugo, quase oculta pela imensidão do palácio dos bispos, fica a Capela de Nossa Senhora das Verdades. É um modesto templo rectangular, sóbrio, cujo valor assenta, essencialmente na sua antiguidade e na história a que está ligado.
Pouco depois da demolição da Porta das Verdades (chamada, primeiramente, das Mentiras), uma das quatro aberturas da muralha primitiva (a que dava acesso à zona do Barredo e da Ribeira, no tempo em que a cidade ainda não se tinha estendido até ao rio), o cónego Domingos Gonçalves Prada, que residia na Rua de D. Hugo (e que então se chamava Rua de Trás da Sé), comprou umas casas vizinhas e construiu à sua custa uma capela, no decurso do séc. XIV, para substituir o nicho que existia sobre a Porta demolida e na qual se encontrava a imagem da Virgem, sua padroeira.
 O pequeno templo degradou-se e foi reconstruído em 1697. Durante o Cerco do Porto (1832-34), a capela foi bastante danificada pela artilharia dos Miguelistas, instalados na Serra do Pilar (Gaia), donde visavam a bateria dos Liberais, colocada no pátio do Paço Episcopal.
Acabada a guerra civil, a capela voltou a ser restaurada, em 1834, por D. Ângela Jácomo do Lago Moscoso, como se lê numa inscrição existente na capela.
A ruína e a destruição tomaram, de novo, conta da capelinha, até que a Câmara Municipal a comprou, toda em ruínas, aos seus proprietários de então, em 1950, e a mandou restaurar.
O altar desta capela foi feito com a aproveitamento de talhas do séc. XVII e é composto por várias colunas torcidas, decoradas com parras, querubins e aves. Essas pinturas, em madeira e também do mesmo século, representam S. Domingos, S. José, S. João Evangelista e Nossa Senhora da Rosa.
No nicho principal (sobre o qual figura o monograma de Cristo, IHS, entre duas palmas, encimado por uma coroa e sustentado por dois anjos) abriga-se a referida imagem de Nossa Senhora das Verdades, em calcário de Coimbra, de belas linhas escultóricas e anterior ao séc. XIV. Uma das particularidades desta bonita imagem, para além da sua antiguidade, é a de mostrar a Virgem com o Menino, não ao colo como é habitual, mas colocado de frente.
publicado por amaroporto2 às 10:53

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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

O RIO DOURO

Terça-feira, 5 de Junho de 2007

 

O rio Douro nasce na Serra do Urbion (Montes Ibéricos, não muito longe das ruínas de Numância), a 2300m de altitude e corre através da Meseta Ibérica, no sentido Este/Oeste, com o carácter de rio de planalto e um coeficiente de desnível de 1m por quilómetro. Ao entrar em Portugal (tendo já percorrido 850 km) muda de direcção, descendo, abruptamente, em sentido Norte/Sul. Nesse percurso alcantilado e dantesco, o rio desce, em média, 3m por quilómetro, comprimido por duas barreiras, por vezes cortadas quase a pique, que atingem 400m de altura. Desde Castro Ladrones, na Espanha, até Barca de Alva, o rio (baixando de 550 para 125 metros), serve de fronteira quase intransitável, em vale profundíssimo.

É nesse troço ou canhão granítico que se encontram as poderosas barragens de Picote (1958), Miranda (1960) e Bemposta, esta última em vias de conclusão.

A bacia hidrográfica duriense, em Portugal (27.500 km2), alarga-se mais na margem direita do que na esquerda, porque ao sul as massas orográficas de Montemuro, Leomil e Lapa se apertam de encontro ao rio. 

 

 

Os afluentes principais, da margem direita, são: o Sabor, com 120 km, torrencial, muito sujeito a cheias; o Tua, com 110 km de comprimento, desde Lubian, na Serra da Segundera, na Espanha, até à confluência, com alguns trechos não torrenciais, como em torno de Mirandela, e outros extremamente declivosos e de penedia estreme; o Corgo, torrencial, em fractura; o Tâmega, de 128 km, que nasce na Serra de S. Mamede, em Espanha, sempre torrencial, com excepção do pequeno segmento planáltico de Chaves; o Sousa, modesto caudal rústico que alimenta a cidade do Porto. Da margem esquerda afluem, sucessivamente, o Águeda, na fronteira; o Coa, mais ou menos torrencial e inóspito; o Távora, com iguais características; o Paiva, com alternados alcantis e trechos verdejantes, escoando a vertente meridional da Serra de Montemuro.

Como os afluentes do Douro descem de grandes altitudes, abundantes de pluviosidade, e como os seus perfis transversais têm a configuração de um V, mais ou menos aberto, as cheias tomam proporções consideráveis, por não poderem as águas espraiar-se pelas margens. Daí a impetuosidade da corrente, por vezes, violentíssima (8m por segundo). Nas grandes cheias, o caudal chega a deslocar cerca de 30.000 m3 por segundo. A origem das enchentes é fortuita, como se verifica pela amplitude do período estacional.
(As cheias do Douro mais violentas nos últimos trinta anos foram, segundo os registos estatísticos: - quinze em Janeiro, treze em Fevereiro, dez em Março, nove em Dezembro, oito em Novembro, oito em Abril e cinco em Maio.) [(1) A recente cheia de 2 para 3 de Janeiro de 1962 talvez tenha sido a maior dos últimos cem anos.]

Próximo da foz, o nível das cheias ultrapassa, por vezes, 5 metros, submergindo os bairros marginais de Vila Nova de Gaia, da Ribeira e de Miragaia. 

 

 

Na sua terminação, o Douro é um rio sinuoso e relativamente profundo, permitindo acostagem marginal a navios de calado razoável. Tais abrigos são, porém, pouco utilizáveis, em consequência do rio não ter a largura para as necessárias manobras.
Do ponto de vista económico, o Douro é a via de drenagem natural de toda a província do Douro Litoral, de Trás-os-Montes e Alto Douro e de uma boa faixa, ainda, da Beira Alta. Como estrada fluvial dos arcaicos e curiosos cargueiros de vinho duriense – os inconfundíveis barcos rabelos – o rio muito contribuiu, nos sécs. XVII e XVIII, para a prosperidade do Alto Douro, facilitando o escoamento dos vinhos aí produzidos. Verifica-se hoje em dia um sensível declínio desse processo tradicional de transporte. A concorrência da estrada e do caminho-de-ferro parece pôr em risco a sobrevivência desses singularíssimos barcos de longo curso fluvial. Mas talvez o declínio seja transitório. Se se realizarem as precisas obras de regularização do rio, por meio de albufeiras, canais e comportas, o rio poderá ser, de novo, de grande utilidade como estrada económica da região. E não será somente para benefício da zona pomícola e vinhateira. Os recursos minerais de jazigos de ferro de Moncorvo deverão beneficiar do melhoramento das condições de navegabilidade do rio, assim como a exploração das minas de carvão do Pejão e até as instalações siderúrgicas de Vila Cova (Marão).
 
Mário de Vasconcelos e Sá, in Guia de Portugal (4º Volume),
Fundação Calouste Gulbenkian (1964)
****************** 
 

Fotografias do rio Douro, tiradas do comboio,

entre o Porto e a Régua, no dia 27 de Setembro de 2006

 

**********************************************

 

Hoje, graças às eclusas de Crestuma, Carrapatelo, Régua, Valeira e Pocinho, o Douro tornou-se navegável . Os cruzeiros turísticos, que se realizam com regularidade,  proporcionam paisagens belíssimas e inesquecíveis aos amantes da Natureza e do mágico rio Douro.  

publicado por amaroporto2 às 23:17

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O PORTO E OS ESPAÇOS VERDES

Domingo, 3 de Junho de 2007

Jardim da Cordoaria (PORTO)

 

Em Julho de 1952, no Plano Regulador da Cidade do Porto, da autoria do Professor Antão de Almeida Garrett, dizia-se:

 [...]  Comparando na cidade do Porto a área verde por habitante (englobando os jardins públicos, os campos de jogos e os cemitérios) com a que é gerelmente atribuída em países como o nosso, nunca menos de 20 m.q./hab., verifica-se não se atingir 3,8 m.q. o que mostra bem a deficientíssima taxa do nosso património em jardins e parques.

Comentário: Em 1952, já alguém se preocupava com a falta de jardins e parques na cidade do Porto. Será que, em 2007, continua essa preocupação? Pelo que vejo, a área verde por habitante deve ser bem menor. A Câmara Municipal do Porto tem alguma noção da situação actual? Ou, como já me chegou ao ouvido, (E peço perdão, se não é verdade.) o Dr. Rui Rio continua a dizer que "as árvores e as plantas são para o campo e não para a cidade".

publicado por amaroporto2 às 22:54

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OS ALMADAS

Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

 

      

A Capela das Almas (Rua de Santa Catarina)

 

João de Almada (João de Almada e Melo), militar da confiança do Marquês de Pombal, de quem era parente, foi Governador do Porto, Administrador do Erário e Inspector das Obras de Interesse Público, deu início (1761) à urbanização geométrica de inspiração pombalina do velho burgo portuense, abrindo a Rua de Santa Catarina. Em 1762, criou o primeiro teatro lírico e a primeira escola de ensino superior (a Escola Náutica do Porto, precursora da Escola Politécnica) que se fixaram na Cidade Invicta. Morreu no Porto, em 1786.
     
Francisco de Almada (Francisco de Almada e Mendonça), formado em Leis pela Universidade de Coimbra, foi nomeado corregedor e provedor da Comarca do Porto. Entre outros cargos, foi Inspector das Obras Públicas do Norte. Reparou e rectificou quase todas as ruas da Cidade Invicta, melhorou todas as suas entradas, construiu praças e ergueu edifícios grandiosos, abrindo para o Porto uma era urbanística. Nascido nos Olivais (Lisboa) em 1757, morreu no Porto em 1804. O seu mausoléu, no Cemitério do Prado do Repouso, encontra-se encimado por um busto da autoria de Soares dos Reis.
publicado por amaroporto2 às 02:36

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