PORTO. Rua do Freixo
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O meu coração ficará no Porto.
Humberto Delgado 14 de Maio de 1958 |
Humberto Delgado, o homem que ousou fazer frente ao ditador Salazar, e que pagou com a vida a ousadia, tem, desde o dia 14, uma estátua na Praça de Carlos Alberto.
A estátua, da autoria do escultor José Rodrigues, destina-se a assinalar os 50 anos da deslocação do general ao Porto, aquando da sua candidatura à Presidência da República, em 1958, em que foi recebido (e levado em ombros) por milhares de pessoas que o aclamavam, desde a Estação de S. Bento até à sede da sua candidatura na Praça de Carlos Alberto.
Para que nunca se esqueça, os versos do Manuel Alegre:
Mesmo na noite mais triste
Em tempos de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz: NÃO!
Campeã do Mundo e da Europa de Triatlo,
Vanessa Fernandes é o orgulho de todos nós:
esforçada, humilde, apaixonada pelo que faz e por Portugal.
É, acima de tudo, o exemplo de que precisamos para sair do marasmo e começarmos a gostar de nós.
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Machadada no património
A notícia de que “A Brasileira” corre o risco de desaparecer, a concretizar-se, será mais uma machadada no já tão depauperado património histórico do Porto. Não é possível dissociar a história do antigo café da baixa portuense, da vida cultural, cívica e política da própria cidade, dos últimos cem anos.
Adriano Teles, antigo farmacêutico da Rua do Bonjardim que, em Minas Gerais, no Brasil, para onde emigrou nos finais do século XIX, se dedicou ao negócio do café, fundou “A Brasileira” em 1903, no regresso ao Porto, com o objectivo de criar e difundir uma marca própria de café. O acto inaugural do novo estabelecimento constituiu um acontecimento social sem precedentes na cidade. Foi de tal modo elevado o número de pessoas presentes que, contam as notícias da época, houve necessidade de requisitar dois polícias para regularem o trânsito que se tornara caótico. Logo após a inauguração, e durante 13 anos consecutivos, com o intuito de difundir a nova marca, foi servido gratuitamente café à chávena aos balcões de “A Brasileira”. A pouco e pouco, o novo estabelecimento foi-se impondo no mercado, ao mesmo tempo que as suas salas se iam transformando em ponto de encontro de tertúlias culturais – das mais animadas da baixa portuense. O edifício actual é dos anos 30. Foi desenhado pelo arquitecto Januário Godinho e decorado com esculturas de Henrique Moreira, espelhos franceses de Max Igram e decorações de alabastros de Vimioso. Inaugurou-se em Março de 1938. Com o título de “A Brasileira”, a firma proprietária do café publicou, desde praticamente o início a até aos anos 40, um quinzenário. Nas décadas de 50 e 60, era um lugar onde se reunia a nata dos literatos, jornalistas, políticos e gente do Teatro. Com uma curiosidade: os homens da Esquerda sentavam-se ao lado direito; e os da Direita ocupavam as mesas dispostas no lado esquerdo.
Que pena que um lugar com tanta história possa vir a desaparecer!
Germano Silva |
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