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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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A SÉ CATEDRAL DO PORTO (I)

26.09.07, amaroporto2
Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

A diocese do Porto já tinha bispo no último quartel do séc. VI, mas não se sabe em que local estaria edificada a igreja episcopal. Em 1114, a diocese foi definitivamente restaurada, sendo seu titular D. Hugo. Em 1120, a condessa D. Teresa doou, a D. Hugo, o couto do Porto, que ficou assim a ser um senhorio episcopal, fonte de vários e frequentes conflitos com a população do burgo e com a Coroa, devido aos direitos que esse senhorio conferia aos bispos .
Nesse tempo, a primitiva Sé do Porto não passava duma modesta ermida (construída, segundo a lenda, pelo bispo D. Nónego, nos inícios do séc. X) alcandorada no cimo do morro da Pena Ventosa. Esta ermida foi destruída para dar lugar à nova Sé, que começou a ser construída sensivelmente no mesmo local, no séc. XII, ainda no tempo de D. Teresa, que morreu em 1130. Destes tempos remotos, recordam-se, ainda, o palácio de D. Teresa (um prédio situado na actual Rua de S. Sebastião e que seria, mais tarde, o aljube eclesiástico e, depois, cadeia civil; neste Aljube Velho eram recolhidas, em especial, as prostitutas que infringiam as leis da higiene pública, e mais tarde serviu também de asilo para rapazes vadios. Hoje é uma casa particular), bem como o topónimo Escadas da Rainha, o actual Terreiro de D. Afonso Henriques.
Começou a ser construída em estilo românico, de que restam ainda as naves e as fachadas, nomeadamente as ameias características das igrejas-fortalezas da época, muitas vezes com dupla função de casa de oração e de local de refúgio face às investidas dos inimigos. Do "claustro velho" românico, restam arcos com ornamentos geométricos e que integrava, outrora, o chamado "cemitério do Bispo", alguns túmulos e sarcófagos, várias peças arqueológicas e restos de obras já desaparecidas, como é o caso do portal românico da Sé, substituído pelo actual, em 1722.
A construção foi interrompida e retomada várias vezes, ficando terminada nos primeiros anos do reinado de D. Dinis (1279-1325). Mas as obras (acrescentos, melhoramentos, modificações, etc.) nunca mais pararam, ao sabor dos estilos de cada época, já que cada novo bispo queria deixar o seu nome ligado à igreja-mãe da diocese.

 

 

Dos tempos do estilo gótico, temos a rosácea da frontaria e o Claustro Gótico ou Claustro Novo [hoje, com notáveis painéis de azulejos, da autoria de Valentim de Almeida, e que foram executados durante o período de “sede vacante”, entre 1717 a 1741. São inspirados no Cântico dos Cânticos (na galeria inferior) e em temas cristãos e mitológicos (na galeria superior)], que data de finais do séc. XIV, mandado erguer pelo bispo D. João III, homem fiel à nova dinastia de Avis. Não possuía edificações em redor, como hoje, a não ser a Sala do Capítulo (actual sacristia), a chamada crasta velha, e a capela de S. João Evangelista,   com a notável arca tumular de João Gordo, Cavaleiro de Malta e almoxarife do rei D. Dinis, com estátua jacente e a Ceia de Cristo. Esta última ficava saliente, no ângulo sudeste, ao lado do terreiro da feira e nas proximidades do Paço Episcopal, a que esteve ligado por uma passagem coberta, possivelmente em madeira, para comodidade dos bispos, no seu trajecto para a catedral.
 

 (continua)