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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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A SÉ CATEDRAL DO PORTO (II)

28.09.07, amaroporto2
Sexta-feira, 18 de Maio de 2007
 

  

Do séc. XVI, são:
· a torre-lanterna, que permite uma iluminação difusa e é coroada, no exterior, por ameias;
· a capela de S. Vicente mandada construir pelo bispo D. Frei Marcos de Lisboa, entre 1582/91, para servir de panteão episcopal subterrâneo e onde estão sepultados vários bispos do Porto. De sóbria arquitectura clássica, apresenta um notável cadeiral (do séc. XVII), com cenas bíblicas;
· a capela do Santíssimo Sacramento, com o altar, o sacrário e o retábulo em prata cinzelada, uma preciosa obra da ourivesaria portuense, que levou mais de 50 anos a completar e esteve em risco de ser levada pelas tropas francesas de Napoleão, aquando da invasão de Soult, em 1809. Diz a tradição que esse obra-prima se salvou da rapina francesa graças à ideia feliz do sacristão que resolver caiar de branco todo o altar e retábulo, conseguindo com este estratagema disfarçar a prata que os recobria.
O moderno lampadário tem o desenho de Teixeira Lopes.
 

 

A actual capela-mor, que substitui a antiga abside medieval, foi construída, nos inícios do séc. XVII, por iniciativa do bispo D. Gonçalo Morais, em estilo classicizante, embelezada por uma profusão de mármores coloridos. Nasoni iniciou aqui, como pintor, em 1725, o seu brilhante percurso artístico no Porto. No séc. XVIII, o cabido encomendou o retábulo-mor, barroco [onde se encontrava a urna com as relíquias de S. Pantaleão, trazidas da Arménia por cristãos fugitivos e que desapareceu, em 1845, e de que nunca mais se soube o paradeiro] a Santos Pacheco que concebeu, então, uma obra inovadora, recorrendo ao entalhador lisboeta Miguel Francisco da Silva. Foi construído entre 1727/29. Destaque para as tribunas laterais, por cima dos cadeirais do cabido, onde ficam dois órgãos de tubos: o esquerdo (do séc. XVII) e o direito (do séc. XIX), recentemente restaurados, e para o gradeamento de bronze que fecha e separa o coro do corpo da igreja.
 

  

No transepto, lado esquerdo, na capela de N.ª Sr.ª da Piedade, está entronizada, desde 1984, a imagem de Nossa Senhora da Vandoma (do séc. XIV), padroeira da cidade do Porto, “civitas Virginis”. Esta imagem ocupou durante séculos o nicho do antigo Arco de Vandoma.
No transepto, lado direito, está entronizada a imagem de Nossa Senhora da Silva (séc. XV-XVI).
O espaço das naves mantém ainda a sua fisionomia original românica, com obras artísticas mais recentes como a pia baptismal [renascentista e junto da qual há um baixo-relevo, de bronze, representando o Baptismo de Cristo por S. João, obra do escultor Teixeira Lopes (pai)], ou os dois púlpitos de mármore (do séc. XVII).
Por detrás da sacristia subsistem restos da antiga Capela de S. Tiago, o primeiro templo da Misericórdia do Porto, transferida, depois, para a rua de Santa Catarina das Flores, onde hoje se encontra.
 
 

Do séc. XVIII, são as talhas douradas das capelas, o portal rococó da fachada (ladeado por duas colunas geminadas e a loggia ou galilé, uma das jóias da Sé Catedral do Porto, concebida, em 1736, por Nicolau Nasoni. [No mesmo local existiu, anteriormente, uma obra análoga, mandada construir pelo bispo D. Diogo de Sousa (1596-1505)].
O alpendre de Nasoni é uma construção em arcada, com 5 arcos separados por espaços rectangulares; o acesso ao arco central faz-se por uma pequena escada de 5 degraus que, por sua vez, dão acesso ao patamar, do qual partem dois lanços que conduzem ao vestíbulo abobadado, com paredes revestidas de azulejos decorativos, por cima de bancos de pedra. Parte destes azulejos (os do poente) têm assinatura de J. Alves de Sá e a data de 1934.

Na majestosa fachada principal, que mantém ainda as torres românicas (que em 1722 sofreram modificações no coroamento) e a rosácea original do séc. XII, encontra-se a imagem da padroeira da Sé do Porto – Nossa Senhora da Assunção – num nicho que termina um frontão, suportado por duas colunas geminadas que ladeiam o portal.
Entre 1932 e 1936, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais empreendeu profundas obras de consolidação e restauro, completadas já depois do 25 de Abril.
 Dois acontecimentos de grande importância foram realizados nesta Catedral: o casamento do rei D. João I com D. Filipa de Lencastre e o baptizado de um dos seus filhos, o Infante D. Henrique, que nasceu no Porto.