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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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A AVENIDA DOS ALIADOS... HOJE

28.09.07, amaroporto2
Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

 

A  Avenida dos Aliados da nossa memória
 
Não vou falar da história da Avenida dos Aliados, apenas das minhas memórias da Avenida.
Como já disse, não nasci no Porto, embora me considere portuense. Lembro-me do deslumbramento dos primeiros tempos. Tudo me parecia grandioso e magnífico. E claro, a Avenida dos Aliados, com os seus edifícios antigos, a Câmara Municipal, as estátuas, os jardins, eram para mim uma espécie de “sala de visitas” do Porto.
Era também o local onde se realizava a “Feira do Livro”. E eu, muito jovem ainda mas já dependente da leitura, lá ia ao fim da tarde fazer a minha ronda pelos expositores, acabando por regressar a casa carregada de livros. À noite, com os amigos, ia algumas vezes até à Praça tomar um café, ou por lá passava no regresso do cinema. Com o 25 de Abril, a Avenida tornou-se o centro de comemorações, manifestações, concertos. Nas tardes quentes, as pessoas descansavam sentadas na relva dos jardins e à sombra das árvores, enquanto as crianças corriam por entre as pombas.
É triste verificar que, durante a noite, a Avenida está agora quase deserta. Mas os edifícios, lavados e iluminados, ainda proporcionam a sensação de uma grandeza bela.
Mas... Porque terá de haver sempre um mas? Depois das obras, da responsabilidade da dupla Rui Rio / Siza Vieira, a Avenida perdeu parte da memória e, por conseguinte, a alma.
Decididamente, não gosto do que fizeram. E digo isto com grande mágoa. Não por causa do Presidente da Câmara que, de facto, não me é particularmente simpático. Mas, tinha um certo respeito, orgulho até, pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira, um homem do norte com obra reconhecida. O problema é que os arquitectos “constroem”... e que tinha o arquitecto Siza para construir naquele local? Nada. Então destruiu os jardins, eliminou a calçada portuguesa (Já agora: Onde param as “valiosas” pedras que tiraram de lá?) e introduziu um “espelho de água” que talvez seja bonito visto da Lua. Porque do chão onde pousamos os pés, senhor arquitecto, não passa dum tanque inestético e que serve para depósito de lixo. Lamento ter de dizer isto, mas a cidade é de quem vive nela e não há poder que tenha o direito de destruir a sua herança. Parece que até queriam tirar, da Praça Humberto Delgado, a estátua de Almeida Garrett. Isto é de bradar aos céus! A Avenida parece agora, no centro, é um espaço árido. E, não querendo fazer juízos de valor, parece ter havido uma intenção visível: afastar a “maralha” daquele local nobre da cidade, onde se sentia tão bem.
No que me toca, quando lá vou, fico triste e revoltada.
Gastar os nossos impostos assim, não!
 

"O tanque", fotografado do melhor ângulo. Acreditem que, ao vivo, é bem pior! 
 
 

 

A aridez, mesmo com as luzes do Natal

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