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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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A TORRE MEDIEVAL

30.09.07, amaroporto2

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

 

 

A casa-torre medieval, existente na Calçada de D. Pedro Pitões, foi descoberta na década de 1940, durante as demolições do casario que envolvia a Sé do Porto. Essas demolições destinavam-se a desafogar a catedral e a construir o amplo terreiro, onde se situa também o Paço Episcopal e o Cabido.

Essa casa-torre foi, então, totalmente reconstruída, sob orientação do arquitecto Rogério de Azevedo, mas num local afastado cerca de 15 metros da sua localização anterior dentro da cerca primitiva, situando-se agora ao lado das ruínas da antiga Casa da Câmara, à entrada da Rua de S. Sebastião. De estrutura quadrangular, compõe-se de dois pisos. Tem uma porta ogival, na parede a sul, e um balcão de pedra de feição gótica, na parede virada a norte. Tanto a porta como o balcão são de construção recente e, segundo os historiadores, não faziam parte da construção primitiva, mas a reconstituição desta seguiu fielmente as descrições antigas.
Não se conhece a finalidade com que foi construída, mas acredita-se que deveria ter sido a residência dum burguês abastado, como outras semelhantes e muito comuns na Idade Média, quando o próprio lar tinha aspecto de fortaleza para defender pessoas e bens.
Até 1960 (quando foi transferido para a Casa do Infante), esteve aqui instalado o Gabinete de História da Cidade e, por isso, lhe chamavam “Torre da Cidade”. Aí se encontravam os documentos de maior valor pertencentes ao arquivo do Município, como sejam os Livros de Vereações, dos Prazos, da Imposição do Vinho, do Registo Geral e algumas colecções de plantas antigas da cidade que permitem estudar os critérios de urbanização adoptados desde os dois grandes reformadores do burgo, João de Almada e Francisco de Almada, promotores de algumas importantes obras realizadas durante a 2ª metade do séc. XVIII. [1]
A seguir ao 25 de Abril de 1974, foi ocupada pela população local que nela instalou o Centro Social e Cultural da Sé. Por acordo estabelecido com a Câmara Municipal, o Centro Social abandonou a torre, para a Câmara Municipal instalar aí, dada a sua privilegiada situação, um posto de turismo e exposições, onde seriam vendidas publicações editadas pela Câmara e alusivas à História da cidade. Não sei se isto se chegou a fazer, mas vou tentar apurar o que se passou.

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[1] Surgiu agora uma proposta de dar, ao túnel da rua de Ceuta, o nome de Túnel dos Almadas, em honra destes reformadores. Aliás, deve-se a João de Almada o nome da Rua do Almada.