Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

O S. João e... o resto

06.10.07, amaroporto2

Domingo, 24 de Junho de 2007

  

Apesar de já não gostar muito de confusões, fui até à Baixa participar na grande festa da cidade. Na Avenida da Liberdade, havia a música do José Cid e bastante gente a cantar, a dançar... a divertir-se. Esta é uma noite muito especial, no Porto, embora não seja já como era dantes. No meu tempo de rapariga, a cidade era um mar de gente difícil de romper. Deu para apanhar umas marteladas e, sobretudo, para admirar os prédios da Avenida, iluminados pelos focos de luz. São edifícios lindíssimos e alguns, mais ou menos, bem tratados, como o da Câmara Municipal, o do antigo "Comércio do Porto", da Caixa Geral de Depósitos, do Montepio, do Banco de Portugal, etc. Senti um certo orgulho de viver nesta cidade "de rosto de cantaria" e comovi-me com a imponência daquele espaço. Mas... e há sempre um mas, alguns desses belos edifícios estão desabitados, ou pelo menos parecem, e já com sinais visíveis de degradação. Não entendo como ninguém parece preocupar-se com isso.

Já expressei aqui a minha preferência pela Avenida que tínhamos antes das obras, recentemente,  efectuadas. Acho, até, que alguns portuenses sofrem de "miopia cultural", quando afirmam: "As alterações que se fizeram dão-lhe um ar mais amplo, semelhante às das grandes cidades europeias, etc., etc., etc...."  Por mim, acho que não temos de copiar ou de tentar assemelhar-nos às outras cidades. A cidade do Porto é linda, é portuguesa, é única e assim deve permanecer. Tem "personalidade" e isso é que a torna interessante. Mesmo os estrangeiros, quando nos visitam, não querem encontrar o que têm nos seus próprios países; querem é conhecer o que temos para oferecer de nós próprios: da nossa história, da nossa cultura e da nossa maneira de ser.

É tempo de acabarmos com o servilismo bacoco que, por vezes, expressamos. Nós somos europeus por direito próprio. E temos um país que não é pior nem melhor do que os outros, mas é diferente e é bom que continue a sê-lo. Há muito a melhorar, sem dúvida, mas devemos manter o nosso património intacto, porque é ele que nos caracteriza como nação. Espero que não vejam, nas minhas palavras, o mínimo exagero de nacionalismo. Acho, simplesmente, que a diversidade é que torna o mundo mais rico e mais bonito.

Como o tempo é de festa, aqui fica uma quadra popular:

 

 

Ninguém se sente sozinho

Na noite de S. João:

O de mais longe é vizinho,

O de mais perto é irmão.

 

Broeiro (9.º lugar do concurso do Jornal de Notícias)