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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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Pedro Abrunhosa

07.10.07, amaroporto2
Sábado, 4 de Agosto de 2007
 
 
Quem Me Leva Os Meus Fantasmas

 

Aquele era o tempo

Em que as mãos se fechavam

E nas noites brilhantes as palavras voavam,

Eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.
Marinheiros perdidos em portos distantes,
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.

 

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

 

Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.

 

Quem leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

 

De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?

 

Quem leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

 

Letra e música: Pedro Abrunhosa (Um portuense dos bons!!!)

Álbum: LUZ