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Amar o PORTO +

"Não há futuro sem memória. Sem enraizamento e sem memória, os povos, como os homens, são apenas náufragos." Manuel António Pina

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Ponte D. Maria até quando?

06.11.07, amaroporto2

4 de Novembro de 1877

 

  

A Ponte D. Maria em construção

 

A construção da Ponte D. Maria Pia iniciou-se em Janeiro de 1876.
Na época, foi uma obra de engenharia audaciosa, de Gustavo Eiffel, que deslumbrou portugueses e estrangeiros.
O Porto foi, aliás, a cidade europeia que mais cedo utilizou a “arquitectura do ferro”.
Utilizaram-se 1.600.000 kg de ferro e cerca de 150 operários, na sua construção. As dimensões exigidas, pela largura do rio Douro e das escarpas envolventes, produziram o maior vão construído, até essa data, com a aplicação de métodos revolucionários para a época.
A inauguração, em 4 de Novembro de 1877, foi presidida pelo rei D. Luís e pela rainha D. Maria Pia, que lhe deu o nome.
Esta ponte, que embeleza a cidade do Porto há 130 anos, fez a ligação ferroviária entre o Norte e o resto do País, sendo um motor importante de desenvolvimento.

  

 

 O Rei D. Luís I e a Rainha D. Maria Pia

 

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Em 1991, a nova Ponte de S. João veio substituí-la e a Ponte D. Maria foi desactivada.
Durante a comemoração dos seus 120 anos, o Presidente da Câmara Municipal do Porto, apresentou o “Projecto de Comboio Turístico e Histórico” que visava a valorização da rota das Caves do Vinho do Porto e das Escarpas do Douro.
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Passaram-se 10 anos. A velha e lindíssima ponte continua abandonada à ferrugem e à corrosão. O projecto, que até parece que já está pago, não começa. Dizem que falta vontade política para o fazer avançar. Ouço falar em utilizar a ponte como passagem (a pé e em bicicleta) e como local de lazer (pequena esplanada para tomar café). Confesso que esta ideia me agrada. Poder tomar, calmamente, um café com aquela vista fabulosa, num fim de tarde de Outono, como os que temos agora, deve ser uma experiência única que tanto os portuenses, como aqueles que nos visitam, merecem ter.
A Associação dos Amigos da Ponte Maria Pia, preocupada com o seu abandono, desabafa, pela voz dum seu dirigente: “Noutro país, este monumento estava recuperado e utilizado para fins turísticos.”
Pois é! Noutro país... Mas este é o nosso. E todos temos o dever de levantar a voz para exigir que não se destrua o património que é de nós todos. Não basta colocar o voto, de tantos em tantos anos, na urna. Os órgãos do poder municipal e nacional não podem fazer só o que os Partidos, ou os seus representantes, entendem, de forma autista e autoritária. O País, o Porto e as suas referências históricas e culturais são património de nós todos. Esse património não pode ser alienado ou destruído sem consentimento do povo, porque ele é a sua memória e a sua maior riqueza.