PORTO SENTIDO
Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
Vê um velho casario
Que se estende até ao mar.
Quem te vê ao vir da ponte
És cascata são-joanina
Erigida sobre um monte
No meio da neblina.
Por ruelas e calçadas
Da Ribeira até à Foz
Por pedras sujas e gastas
E lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério
num rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria
[refrão]
Ver-te assim abandonada
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem mói um sentimento.
E é sempre a primeira vez
Em cada regresso a casa
Rever-te nessa altivez
De milhafre ferido na asa.
Rui Veloso/Carlos Tê
Ontem à noite, no Coliseu,
os portuenses renderam-se à música e às palavras
de José Mário Branco, Sérgio Godinho e
Fausto Bordalo Dias.
Uma noite mágica com casa cheia e público cúmplice.
Aprende a nadar, Companheiro,
que a maré se vai levantar!
Rui Reininho:
Daqui [Porto] saiu o primeiro manifesto contra a escravatura e a pena de morte, a luta contra o Absolutismo, a resistência ao Cerco do Porto.
Perdemos o poder reivindicativo e já estamos a sofrer com o erro de canalizar tudo para a capital.
As casas estão devolutas [centro histórico], o comércio - que era vivo e forte - está, agora, a morrer. Andar na Baixa é quase como fazer uma peregrinação.
A Praça da Liberdade, os Aliados e a Cordoaria estão terríveis.
O "Barney" e o "Fred" foram para a pedreira.
Em minha opinião, estragaram tudo.
A calçada portuguesa e os jardins foram substituídos por granito vindo da China...
Para mim, estas obras são sinónimo de falta de sensibilidade, resultado de uma mera "arquitectura espectáculo".
in VIVA!
Tripeiro sofre!... digo eu.
Guilhermina Suggia, Augustus John (1923)
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(...) “a colossal artista emocionou e encantou a assistência, que lhe fez justamente uma verdadeira apoteose. Tocou o Concerto em Mi menor de Elgar com a sua arcada que arrebata, com o brio e a expressão que só ela possui e ouvido em religioso silêncio, teve aplausos intermináveis, tendo de repetir o último andamento.” República, 16 de Fevereiro de 1946
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Uns meses depois, a Coroa portuguesa concede-lhe uma bolsa para estudar em Leipzig (Alemanha), para onde se desloca, acompanhada pelo pai. A vida de pai e filha em Leipzig era extremamente difícil pois a bolsa não cobria totalmente os custos com as aulas e as despesas necessárias à estadia de ambos.
A família tinha poucos recursos financeiros e era a irmã que, com 20 anos, sustentava a família, dando aulas particulares de piano, sacrificando a sua carreira futura de pianista então já conhecida.
A vida de Guilhermina transforma-se completamente e, a partir dessa altura, é acolhida nas maiores salas de concerto pela Europa fora, onde o sucesso foi tão grande que o público lhe chamava “Paganina” (comparando-a a Paganini).
Em 1906, Suggia está em Paris e, reencontrando Pablo Casals, passa a viver com ele na Villa Molitor, sendo famosos os convívios do casal com músicos, pintores, escritores e filósofos. O romance enche as páginas dos jornais. A relação termina, abruptamente, em 1913 e Guilhermina muda-se para Londres, que se torna o centro da sua actividade musical. Os concertos que fez, nas salas mais conceituadas, foram êxitos estrondosos, em que as assistências a aclamavam verdadeiramente enfeitiçadas.
Casa de G. Suggia.Rua da Alegria,665 (Porto)
Em 1924, apesar de se manter ligada à capital inglesa, compra casa no Porto. Aqui acaba por casar, em 1927, com o médico José Casimiro Carteado Mena.
Nos anos 30, regressa definitivamente ao Porto, reforçando os laços musicais com músicos portugueses e tocando em várias capitais de distrito.
Em Junho de 1950, foi sujeita a uma cirurgia, em Londres, tendo-lhe sido detectado um cancro inoperável. Na altura é acarinhada pelos amigos e fica especialmente sensibilizada pelo bilhete e flores que recebe da Rainha de Inglaterra.
Regressa ao Porto, onde veio a falecer em casa na noite de 30 de Julho.
Está sepultada no Cemitério de Agramonte (Porto). Jazigo 2132
Em 1923, foi agraciada com a insígnia de oficial da Ordem de Santiago da Espada; em 1937, foi promovida a comendador desta Ordem. Em 1938, recebeu a Medalha de Ouro da Cidade do Porto.
Por outro lado, abriu as portas profissionais do violoncelo às mulheres, até então quase fechadas. Ainda em 1930, o violoncelo era tido como um instrumento indecoroso para as mulheres, sendo proibida a contratação de violoncelistas mulheres pela própria orquestra da BBC.
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